| Angola e os riscos do Analfabetismo-Digital |
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| Terça, 29 Agosto 2006 08:35 | |
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Não obstante o facto de ter havido boas iniciativas nos últimos anos, sobre as T.I.C. (Tecnologias de Informação e Comunicação) nota-se ainda que o enfoque tem sido esporádico. Requer-se saber agora, com pertinência, se, se tem realmente a percepção real, da parte dos actores económicos estatais e privados, do papel determinante destas tecnologias, no desenvolvimento da sociedade que queremos desenvolvida tecnologicamente, nos próximos anos. No espaço de seis décadas, ocorreram avanços tecnológicos revolucionários na área da computação. Depois da segunda guerra mundial, a tecnologia de computação saiu da automatização para tecnologia de informação e actualmente, para Tecnologia Digital. Nos países mais avançados como no Japão, Estados unidos da América, Alemanha, França, Inglaterra, Canada (para citar alguns), em cada mudança foram criadas grupos de trabalho "brainstormings" e empresas vocacionadas nesta área e investiram fortunas na criação de centros de tecnologias. Ironicamente, enquanto nos países de referência supracitados, o investimento nesta área é de realce, no nosso país, as pessoas a título individual e colectivo, parecem não darem conta dos riscos reais previsíveis e graves que corremos, ao não avançarmos a ritmo sustentado, nesta economia globalizante. As forças globais em tecnologias, investigação, ciência e comunicações – IBM, Microsoft (para não citar muitos) têm advertido que nos próximos anos, a maioria das empresas e instituições em muitos países, (o nosso país incluso) não admitirão nos postos de trabalho, pessoas desprovidas de conhecimentos (ao menos que tenham as noções básicas) de tecnologias de informação e comunicação, ou mais propriamente do uso de PC “Computador Pessoal". Para podermos superar este atraso tecnológico, é imperativo que cada indivíduo (para além dos esforços que devem ser requeridos dos que estão a frente nesta batalha no país) tome consciência deste fenómeno a sério, para não empreitarmos a terceiros o que pode ser feito por nós mesmos. Uma das formas para combater esta nova forma de analfabetismo é de melhorar as condições laborais do cidadão nacional tornando-o capaz de sustentar a formação tanto para ele/ela próprio/a e para a os seus filhos, neste ramo de tecnologias de Informação e comunicação. Caso a maioria da força viva do país não começar agora, a superar este atraso, os riscos são que muita gente será impedida no mercado do trabalho, por causa desta desvantagem tecnológica, nos anos que se aproximam. Como diz um provérbio Africano:
No seu recente livro, Thomas Friedman “The world is Flat”1* (O Mundo está/ é Plano) aborda entre outros este fenómeno do nosso tempo. No referido trabalho, o autor descreve o risco que correm as nações que não investirem a sério na formação da sua população activa nas novas tecnologias de informação ou tecnologia Digital e alude, como rapidamente o mundo está mudando, pondo em enfoque as tendências que estão a impulsionar esta mudança Digital e a globalização tecnológica do mundo; como o incremento dos chamados “Offshoring- (transferência de fábricas para países com mão de obra qualificada e barata) e Outsourcing, “procedimento que consiste por parte das empresas multinacionais ou organizações, em obter mão-de-obra qualificada e barata (lógica do ganho obriga), fora dos países onde operam”. Aqui abro um parêntese para dar uma ilustração (que espero premonitória), que seria de por exemplo, a Sonangol, ser obrigada a recrutar a maioria do seu pessoal qualificado neste ramo, na Índia, por serem bem formados e baratos, na escassez do pessoal Angolano! O exemplo da China e Índia, é que a 15 ou 25 anos idos, dependiam em grande parte, das importações de bens. Hoje já não é o caso. A China pelo menos já não se contenta em fabricar para o consumo interno. Ela tem a economia mais dinâmica do mundo, graças aos investimentos maciços nos recursos humanos e nas infra-estruturas e na implementação das novas tecnologias. Nos dias de hoje, a China como a Índia, se impõem também, porque forçaram a mudança nas regras de jogo na economia mundial, graças ao investimento, particularmente no capital humano, para fazer peso nesta revolução tecnológica. No caso do nosso país, se podemos nos perdoar deste atraso nesta área por causa de em grande parte, da situação de guerra quase permanente que vivíamos, o mesmo já não será mais justificável nos próximos três a cinco anos (pelo menos nas grandes aglomerações do nosso país). Seria grave para o nosso país ter essas informações alarmantes e mantermo-nos néscios deste fenómeno. Para avançarmos com segurança, e duma maneira benéfica para a nossa sociedade (como tem feito a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola - Sonangol), deve-se apostar na formação de mais quadros neste domínio, e promover workshops para atrair todos Angolanos que aqui no país se interessam nestas tecnologias. Tenho a convicção que no futuro (esperemos próximo), quando for vencido o pessimismo latente e crónico, que infelizmente ainda perdura em muitos dos nossos compatriotas, poderemos com a força de querer, erguer na nossa terra, quiçá, o nosso Silicon-Valley*2 ou o nosso Bangalore*3”! A realização regular – diria mesmo, anual de eventos de promoção destas tecnologias nas escolas, institutos e faculdades e a gratificação dos (poucos) quadros médios e superiores nacionais já formados neste domínio, ajudariam a superação a curto termo este atraso e diminuiria o recurso aos estrangeiros na execução das actividades neste domínio nas empresas e instituições nacionais. Citaria em conclusão uma passagem do livro do Dr. Carter Goodwin Woodson (The Mis-Education of the Negro*4), onde deixou claro como cristal que:“A maneira mais produtiva de ajudar os membros duma sociedade, é ajuda-los a se ajudarem eles mesmos … formando-os.” E no mesmo livro, escreveu:
_____________________________________________________________ *1 The World is Flat: The Globalized World in Twenty-first Century (Thomas L. Friedman 2005-2006 – Penguin books 2006, p.534). *2 The Mis-Education of the Negro (Dr. Carter G. Woodson – First Africa World Press, Edition 1990, p.197). *3 Silicon-Valley: Complexo construído em Califórnia-USA, com o objectivo de inovação científica e tecnológica, destacando-se na produção de Chips, na electrónica e informática. *4 Bangalore: Centro industrial de alta tecnologia e capital tecnológica em Karnataka-Índia.
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| Actualizado em ( Domingo, 27 Maio 2007 21:27 ) |





Deve ser actualmente do conhecimento da maioria dos Angolanos (ou pelo menos dos que se acessam aos PCs e Internet, nas grandes aglomerações), que o desenvolvimento das sociedades modernas passa necessariamente pelas Tecnologias de informação e Comunicação ou Tecnologia Digital. Actualmente, quando se fala do analfabetismo-digital refere-se a uma situação em que uma pessoa, mesmo sabendo ler e escrever, não ser capaz de escrever textos, utilizando o processador como o MS Word, fazer cálculos no MS Excel, MS-works, OpenOffice, enviar correio electrónico (E-mail) ou navegando na Internet fazendo buscas de informações e mais …










